Eu cometi muitos erros na vida, isso é bastante óbvio. Só que eu tenho uma relação estranha com meus erros, e uma relação ainda mais estranha com a culpa.
Quando eu cometo um erro, eu não me sinto culpada, apenas sofro com as consequências. Consequências são capazes de me torturar por anos,mas culpa mesmo, eu não sinto. Em compensação sinto uma culpa profunda, venenosa e corrosiva pelas coisas mais banais, que muitas vezes nem foram feitas por mim.
Por toda a minha vida meu dia a dia foi permeado de culpa que me paralisava, me deixava em pânico, adoecia meu corpo e minha mente. Mas com esses anos convivendo com a culpa, eu aprendi uma preciosa lição: a culpa é completamente inútil. Se você fez algo de errado, sentir culpa não anula seu mau passo, sua ação ruim. O melhor que pode ser feito é não fazer novamente. E se não há razão para culpa, se a culpa tem a ver somente com a forma que outra ou outras pessoas vêem aquele ato, então menos sentido ainda em se sentir consumido pela culpa.
Eu ainda sinto culpa, geralmente por coisas pequenas, por não conseguir fazer todas as pessoas ao meu lado, ao mesmo tempo, felizes. E eu sei que isso é pura bobagem porque claramente essas pessoas fazem a escolha pela infelicidade todos os dias. É, portanto, absurdo, que eu me sinta culpada seja lá do que for.
Certa vez um médium me disse que eu sentia culpa porque tinha feito algo de terrível com alguém no passado, numa outra vida, e que esse grande erro, juntamente com o espírito que feri, me assombravam. Isso foi até eu racionalizar a culpa e passar não sentí-la mais.
Mas então ficou o vazio, que não consigo racionalizar. Estou sempre sentindo falta de algo. E eu não gosto de escrever sobre isso, porque é uma parte de mim que está sob uma sombra densa demais para que eu possa investigar sem cair no chão.
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