As pessoa falam em amor o tempo todo. Tudo gira em torno dessa sensação inexplicável que nos impele à presença de outrem como se fosse uma necessidade imediata e irremediável. Quando, porém, somos obrigados por qualquer razão a nos abster dessa presença, algo dentro de nós, orgânico e imaginário, nos trás uma sentimento de morte. Nada mais faz sentido, tudo é tão doloroso e triste, não existem mais cores, nem risos, nem paz.De uma hora para a outra nada mais faz nenhum sentido e a vida passa a ser uma tortura.
Sentir falta de pessoas que amamos, da pessoa que nos propiciou incríveis momentos de profundo apego mútuo não é nada errado ou anormal. É óbvio que quando algo de bom e prazeroso é tirado de nós, um certo vazio fique. Mas até onde isso é saudável? E por que em muitas ocasiões simplesmente não é?
Eu acredito que as pessoas não se amam antes de se propor a amarem uma outra pessoa. O que acontece então é que o outro se transforma no único ser capaz de lhe amar. E todo mundo quer ser amado, ninguém quer perder a única pessoa que lhe ama e se perde, desespero é uma reação comum.
Mas, então, o que seria se amar? Querendo ou não, apesar do politicamente correto dizer que o que importa é nossa beleza interior, acho que o processo de se amar começa diante do espelho. Acho sim que o primeiro passo para se amar é se apreciar, é se deliciar com a visão de si mesmo. Pessoas que gostam da sua aparência têm uma chance muito maior de lidarem melhor com a rejeição alheia, porque no fim das contas já se aceitam muito bem.
É por isso que a partir de hoje eu quero fazer por mim e para meu deleite, o melhor para minha aparência. Pretendo cuidar do meu corpo, do meu cabelo, escolher roupas que me realcem. Mas acima de tudo isso, eu preciso colocar na cabeça que sou jovem, linda, desejável e que qualquer pessoa gostaria de mim. Sem essa ideia na cabeça nenhum esforço para mudar e aperfeiçoar a aparência é válido. Tanto que conheço inúmeras pessoas com a aparência fora dos padrões e as vezes desagradável mesmo, mas que transmitem uma segurança, uma auto estima tão poderosa que nunca estão sem ser loucamente amadas por várias outras pessoas.
A segunda forma de se amar é pôr na cabeça, seja como for (repetindo como um mantra, se educando) que ninguém no mundo é insubstituível, apenas você mesmo. Estamos namorando, o namoro é incrível, aquela pessoa parece te amar profundamente. Mas então acontece algo, qualquer algo, e o amor já não é o mesmo, passou a ser raso, parco, quase nulo. Você pode tentar consertar as coisas, conversar, vê se há como voltar ao melhor do amor, da paixão e do desejo. Mas se não houver jeito, é levantar e ir embora, sem dores maiores do que uma perda perfeitamente reparável.
Entenda que não estou dizendo que as pessoas sejam descartáveis. Mas se uma pessoa não te quer, não adianta, jamais, em hipótese nenhuma, mendigar o amor dela. Se ela te olha nos olhos e diz, com palavras, gestos ou até mesmo com o simples olhar, que não te ama mais, acabou, game over. Você vai sentir um pontada no peito por causa da rejeição, isso é orgulho ferido. Você vai sentir falta do tempo em que recebeu o que parecia ser todo o amor do mundo, isso é saudade. Você vai sentir o vazio que a ausência daquela pessoa vai deixar. Mas nunca se desespere, nem se rasgue em mil pedaços, nem ache que a vida acabou. Porque o que acabou foi apenas uma relação. Outras virão, bem mais e melhores da que foi. E com esse pensamento na cabeça, lhe dê uns dias de folga, de luto, e siga em frente.
E se estou dizendo isso é porque sei bem do que estou falando Já passei por fins que me devastaram como pessoa por muito tempo. Por anos. A mínima menção do nome do amor perdido me compungia, me fazia querer voltar aos pés dele implorando que me amasse novamente. E eu fiz isso, muitas vezes. Joguei no lixo respeito por mim mesma, amor próprio, dignidade, para implorar.
De alguma forma isso me fortaleceu muito, e nos últimos anos acho que me fortaleceu até demais, porque me tornei cínica e apática. Mas não tem problema.Do mesmo jeito que se aprende a amar da forma errada, se aprende a amar do jeito certo. E é o que eu estou fazendo agora, ao começar do zero, com alguém que me ama.
Se sentir e se ver bela e desejável, entender que ninguém é insubstituível. Será que estou esquecendo de alguma coisa?
Não sei se falta alguma coisa, mas uma coisa eu sei: isso é um processo, um treinamento constante. As vezes você se torna uma rocha por causa disso, tem que aprender a medir as coisas.Mas mesmo assim o ideal é que você nunca baixe a guarda, que você nunca ache que já está com o processo completo. Se amar, no mundo de hoje, é um desafio que exige disciplina.Porque o mundo nos bombardeia direto e de todos os lados de que precisamos de alguém que nos ame para que sejamos completos, alguém que nos deseje para que sejamos desejados, alguém que se importe para que a gente viva sem cair nos abismos. Por isso estamos o tempo todo fazendo de tudo pela aprovação dos outros e nos matando quando não conseguimos. Mas tudo isso é mentira! Somos seres políticos? Somos! Precisamos nos conectar com outras pessoas? Precisamos! mas não precisamos nos anular por isso, achar que se uma determinada pessoa (ou qualquer outra) não nos ama, é porque não somos dignos de amor. Que o amor de uma pessoa é único e só ele que vale para nós. Isso não!
Porque o único amor imprescindível par nós, é o nosso. Sem esse, pode se desesperar, pode se matar, pode ir ao fundo do poço. Porque no fim das contas, lá sempre será o seu lugar.
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